Representações sobre dengue na comunicação midiática: há preocupação com a competência informacional?

Autores

  • Edlaine Faria de Moura Villela Ministério da Saúde. Consultora técnica no Centro de Informações Estratégicas e resposta em Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde. Doutora em Ciências (Área: Epidemiologia) pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, 2012 (FSP/USP). Mestre em Saúde Pública pela FSP/USP, 2009. Especialista em Divulgação científica em Saúde, 2010 (UNICAMP). Especialista em Saúde Ambiental pela FSP/USP, 2008. Graduada em Ciências Biológicas pela UNESP, 2007. Graduada em Ciências da Informação e da Documentação pela USP, 2012. Graduada em Pedagogia pela UNINOVE, 2009.
  • Delsio Natal Universidade de São Paulo. Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (1977), mestrado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (1982) e doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (1986). Atualmente é professor associado da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Epidemiologia, atuando principalmente nos seguintes temas: culicidae, aedes aegypti, dengue, culex quinquefasciatus e controle.

DOI:

https://doi.org/10.3395/reciis.v7i1.596

Palavras-chave:

Dengue, Teoria da Representação Social, Mídia impressa, Discurso do Sujeito Coletivo, Educação em Saúde

Resumo

Resumo

Considerar o problema da dengue exclusivamente no contexto biológico não é suficiente. A mídia é produtor ativo de sentidos que reforça comportamentos em vez de modificar, por não se ponderar de que não se pode ensinar à população condutas promotoras de saúde sem considerar seus conhecimentos prévios. Nesse estudo, analisa-se a comunicação da mídia impressa sobre a promoção de ações educativas para o combate da primeira epidemia de dengue na cidade de Ribeirão Preto, SP, de novembro/1990 a março/1991. O método utilizado foi o Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). O DSC tem suas bases na Teoria da Representação Social, a qual viabiliza a construção de painel de discursos sobre a realidade. Foram encontradas 125 notícias sobre a epidemia, nos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, A Cidade (local), e nas revistas Veja e Revide (local). Seis subtemas emergiram da análise das notícias. O recorte escolhido para este trabalho foi o subtema ações educativas promovidas. Das 125 notícias, 76 não fizeram referência a esse importante assunto. Das 49 que abordaram, 19 enfocaram como foi feita a promoção de ações educativas para a mobilização da população, sete reconheceram a necessidade de conscientização, mas não apresentaram nenhuma proposta e apenas cinco delas trataram da escassez de ações educativas e da falta de informação. A população não foi estimulada a questionar constantemente atitudes e hábitos para auxiliar de forma significativa o controle da epidemia. Assim, fica evidente a prevalência de questões políticas sobre questões prioritárias de saúde, o que dificulta a conquista da competência informacional. Nota-se que a análise do conteúdo informacional midiático das epidemias passadas é de extrema importância para a reformulação do como informar, preparando-se para desafios futuros.

Recebimento: 21.11.2012

Aceite: 13.03.2013

 

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