“Nada mais natural que amamentar” - Discursos contemporâneos sobre aleitamento materno no Brasil

Autores

  • Irene Rocha Kalil Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
  • Maria Conceição da Costa Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

DOI:

https://doi.org/10.3395/reciis.v6i4.730

Palavras-chave:

Discursos, campanhas, amamentação, higienismo, mães

Resumo

Este trabalho apresenta uma reflexão teórica acerca dos discursos expressos nos materiais de orientação sobre aleitamento materno desenvolvidos pelo Ministério da Saúde brasileiro na última década, sobretudo as campanhas publicitárias da Semana Mundial da Amamentação (SMAM), com o objetivo principal de identificar os sentidos da amamentação neles privilegiados ou silenciados. Por meio do resgate histórico de concepções sociais sobre aleitamento materno surgidas nas sociedades ocidentais a partir do século XVIII, quando tem início o movimento a que Foucault (1985) chamou de “poder sobre a vida”, e passando pelo movimento médico higienista, fortemente presente em nosso país na virada do século XIX para o XX, é possível perceber que os discursos contemporâneos oficiais que abordam a amamentação guardam significativas aproximações com aqueles dirigidos ao que Costa (1999)
nomeou de “mãe higiênica”, que definiam a mulher como responsável pelo crescimento saudável dos jovens cidadãos, garantindo, assim, o futuro da nação. Os materiais de orientação atuais reproduzem, em geral, um modelo desenvolvimentista da comunicação, no qual a informação deve ser transmitida por meio de um processo linear, verticalizado e
unidirecional (ARAÚJO, 2004), e permanecem pautados, basicamente, em uma visão instrumental do papel da mulher-mãe na sociedade.


Palavras-chave: Discursos; campanhas; amamentação; higienismo; mães.

Biografia do Autor

Irene Rocha Kalil, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz).
Doutoranda em Informação e Comunicação em Saúde pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Possui mestrado em Educação (2008) e especialização em Sociologia Urbana (2004), ambos pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Graduou-se em Comunicação Social pela
Universidade Federal da Bahia (2001) e, desde 2009, é jornalista do Instituto Fernandes
Figueira, unidade materno-infantil da Fiocruz.

Maria Conceição da Costa, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Doutora em Ciência Política pela Universidade
de São Paulo (1997), pós-doc em Sociologia da Ciência pela University of South Florida, USA
(2001-2002) e livre docente em Estudos Sociais da Ciência pela Universidade Estadual de
Campinas (2007). Coordena o Núcleo de Estudos de Gênero Pagu e é professora vinculada à
Unicamp, Fiocruz e Departamento de Política Científica e Tecnológica.

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Publicado

2016-10-06